O que é um ATS? Quadro de transferência automática
O que é um ATS e como funciona? Sequência de transferência, temporizações, escolha de 3 ou 4 polos, cálculo de corrente (kVA × 1,44) e lista de verificação.

Índice
Quando a rede falha, o quadro ATS (Automatic Transfer Switch – comutador de transferência automática) assegura o arranque automático do gerador e a transferência da carga para o gerador. O gerador arranca alguns segundos após a falha; a carga é tipicamente transferida para o gerador em 10–15 segundos. Quando a rede regressa, a carga é novamente transferida para a rede e o gerador para automaticamente após alguns minutos de funcionamento em arrefecimento.
A maioria dos problemas observados no terreno em quadros ATS resulta de um número de polos mal escolhido, de temporizações reduzidas a zero ou de quadros que não foram ensaiados durante a colocação em serviço.
O que contém um quadro ATS?
- Elemento de comutação: Contactor, disjuntor motorizado ou comutador motorizado. Liga a carga à rede ou ao gerador.
- Unidade de controlo: Monitoriza a tensão, a frequência e a sequência de fases da rede. Gere as temporizações. Envia ao gerador os comandos de “arranque” e “paragem”.
- Encravamento mecânico e elétrico: A rede e o gerador não podem ser ligados à carga ao mesmo tempo. A segurança do sistema depende disso.
- Medição e alarmes: Tensão, corrente, informação de estado. Muitos modelos dispõem também de monitorização remota.
A referência internacional para equipamentos de comutação de transferência é a norma IEC 60947-6-1. A categoria de utilização do elemento de comutação deve ser adequada ao tipo de carga. Numa instalação com carga predominantemente de motores, este pormenor é importante.
Como decorre a transferência? Tempos
| Etapa | O que acontece? | Regulação típica (aproximada) |
|---|---|---|
| 1. Deteção da falha | A rede falha ou sai dos limites | Atraso de 1–5 s |
| 2. Arranque do motor | É enviado ao gerador o comando de arranque | Alguns segundos |
| 3. Regime estável | A tensão e a frequência estabilizam | Alguns segundos |
| 4. Transferência | A carga passa para o gerador | Total geralmente ~10–15 s |
| 5. Regresso da rede | A estabilidade da rede é monitorizada | Geralmente alguns minutos |
| 6. Retransferência | A carga regressa à rede | — |
| 7. Arrefecimento | O gerador funciona sem carga e para | Geralmente 3–5 min |
Os valores são exemplos. As regulações reais são feitas de acordo com a instalação, o quadro de comando do gerador e os regulamentos aplicáveis.
Não esqueça dois pontos. Primeiro: durante estes 10–15 segundos a carga fica sem energia. Servidores, equipamentos médicos ou PLC não suportam esta interrupção; para eles utiliza-se UPS e gerador em conjunto. Segundo: o tempo de espera no regresso da rede não é inútil. Devolver a carga de imediato enquanto a rede cai e volta várias vezes submete motores e equipamentos a choques sucessivos.
Tipos de transferência
- Transição aberta (break-before-make): Primeiro abre-se uma fonte e depois fecha-se a outra. É a solução mais comum. Ocorre uma breve interrupção durante a transferência.
- Transição temporizada (com posição central): O comutador permanece brevemente na posição “0”. Nos grandes motores de bombas e ventiladores, dá tempo para que a tensão residual se extinga e reduz o pico de corrente.
- Transição fechada (make-before-break): No regresso da rede, as duas fontes funcionam em paralelo durante um tempo muito curto; a carga é transferida sem interrupção. Exige sincronização e proteções adicionais. A ligação em paralelo com a rede pode exigir autorização do distribuidor de energia. Mais pormenores no nosso artigo sobre funcionamento sincronizado (em paralelo).
Como escolher o ATS correto?
1. Corrente. Num sistema trifásico de 400 V:
I (A) = kVA × 1000 ÷ (√3 × 400) ≈ kVA × 1,44
| Gerador | Corrente nominal (aproximada) | Valor típico do ATS |
|---|---|---|
| 50 kVA | 72 A | 80–100 A |
| 100 kVA | 144 A | 160 A |
| 250 kVA | 361 A | 400 A |
| 500 kVA | 722 A | 800 A |
| 1000 kVA | 1443 A | 1600 A |
Escolhe-se o valor normalizado imediatamente acima da corrente calculada. Os cabos e os elementos de proteção também devem ser compatíveis com a mesma corrente.
2. Número de polos. 3 polos ou 4 polos? A resposta está no regime de ligação à terra da instalação. Nos sistemas em que o neutro do gerador é ligado à terra separadamente, é geralmente necessário um ATS de 4 polos. Explicamos o tema no nosso artigo sobre ligação à terra do gerador.
3. Resistência ao curto-circuito. O ATS deve ser adequado à corrente de curto-circuito no ponto de ligação e ao elemento de proteção a montante.
4. Compatibilidade de controlo. A unidade de controlo deve comunicar com o quadro de comando do gerador. As temporizações, o modo de ensaio e as saídas de alarme devem ser configuráveis.
5. Âmbito. Todo o edifício ou apenas as cargas críticas? Agrupar as cargas críticas num quadro separado permite, muitas vezes, resolver a questão com um gerador e um ATS mais pequenos. Pode estimar a necessidade com a ferramenta de cálculo de potência.
Erros frequentes no terreno
- O número de polos é escolhido sem ter em conta a ligação à terra. Resultado: ao passar para o gerador, os relés diferenciais disparam sem motivo aparente.
- O atraso de deteção da falha é reduzido a zero. O gerador arranca mesmo com uma cava de tensão de algumas centenas de milissegundos na rede. Dezenas de arranques desnecessários por dia.
- O tempo de arrefecimento é encurtado. O turbo e o motor param ainda quentes. Um hábito que reduz a vida útil.
- A sequência de fases não é verificada. Ao passar para o gerador, a bomba roda em sentido inverso. Normalmente só se nota na primeira falha de rede real.
- O ATS nunca é ensaiado. O gerador é posto a funcionar todos os meses, mas sem carga. A transferência é experimentada pela primeira vez numa falha de rede real e, por vezes, não funciona.
Lista de verificação
- A corrente nominal foi calculada e foi escolhido o valor normalizado de ATS imediatamente superior?
- O regime de ligação à terra e a decisão de 3/4 polos estão definidos no projeto?
- A resistência ao curto-circuito e o elemento de proteção a montante são compatíveis?
- Existe encravamento mecânico e elétrico?
- As temporizações (deteção, regresso, arrefecimento) foram reguladas?
- A sequência de fases foi verificada?
- A comunicação com o quadro de comando do gerador foi testada?
- O ensaio periódico de transferência está incluído no plano de manutenção?
Ensaio periódico
Só uma transferência real demonstra que o ATS funciona. Na manutenção periódica, o gerador deve funcionar sob carga, a transferência e a retransferência devem ser ensaiadas e as temporizações e os alarmes devem ser verificados. Sempre que possível, deve simular-se uma falha de rede real abrindo o disjuntor da rede. Para o âmbito da manutenção, consulte a nossa página de manutenção periódica.
Próximo passo
A equipa da Terex Diesel ajuda a escolher o quadro ATS de acordo com a potência do gerador e a sua instalação. Para informação sobre o produto, consulte a nossa página quadro de transferência ATS; para o seu projeto, contacte-nos.
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Esquema de ligação do ATS
- A rede falha ou a tensão/frequência sai dos limites.
- O ATS aguarda alguns segundos (para ignorar quedas breves) e depois envia o sinal de arranque ao grupo gerador.
- Quando o grupo atinge a tensão e a frequência, o ATS transfere a carga; normalmente 10–15 segundos no total.
- Quando a rede regressa, o ATS confirma durante algum tempo que está estável e devolve-lhe a carga; o grupo para após um ciclo de arrefecimento.
Perguntas frequentes
Quantos segundos após o corte de energia o ATS transfere para o gerador?
O tempo depende das regulações. Num sistema típico de socorro a diesel, o atraso de deteção da falha de rede, o arranque do motor com estabilização da tensão e da frequência e a transferência completam-se, em conjunto, geralmente em cerca de 10–15 segundos. Em instalações críticas, como hospitais, o tempo máximo admissível é definido pelas normas e regulamentos aplicáveis.
O ATS deve ser de 3 polos ou de 4 polos?
A decisão depende do regime de neutro (sistema de ligação à terra) da instalação. Nos sistemas em que o neutro do gerador é ligado à terra separadamente e o neutro também tem de ser comutado, utiliza-se um ATS de 4 polos. Em alguns sistemas em que o neutro é ligado à terra num único ponto, um ATS de 3 polos pode ser suficiente. A escolha deve ser feita pelo engenheiro responsável pelo projeto elétrico.
Como se calcula a corrente do ATS?
Num sistema trifásico de 400 V, a corrente nominal do gerador obtém-se aproximadamente por kVA × 1,44. Por exemplo, um gerador de 250 kVA tem uma corrente de cerca de 361 A; escolhe-se o valor normalizado imediatamente superior, um ATS de 400 A. Os cabos, os fusíveis e a resistência ao curto-circuito também devem ser verificados separadamente.
Modelos em destaque
Dados técnicos de modelos nas potências mais solicitadas:
- 38 kVATRX QZ TA 0038Quartz Q490ZD
- 58 kVATRX QZ TA 0058Quartz Q4105D
- 77 kVATRX QZ TA 0077Quartz Q4105ZD
- 105 kVATRX QZ TA 0105Quartz Q4105AZLD
- 155 kVATRX QZ TA 0155Quartz Q6105AZLD
- 260 kVATRX SD TA 0260SDEC SC9D310D2
- 300 kVATRX SD TA 0300SDEC SC9D340D2
- 400 kVATRX SD TA 0400SDEC SC15G500D2
- 520 kVATRX SD TA 0520SDEC SC25G610D2
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